O Messianismo no Brasil e no Mundo


O Messianismo no Brasil e no Mundo

Livro: O Messianismo no Brasil e no Mundo
Autora: Maria Isaura Pereira de Queiroz
Editora: Alfa-Omega
Edição: 3ª Edição – maio de 2003.

 Referencial Teórico

O livro de Maria Isaura Pereira de Queiroz é prefaciado por Roger Bastide, seu orientador, que dá na sua apresentação menciona os referenciais teóricos do livro de sua orientada. Segue a seguir as principais idéias apresentadas por ele, que será de grande valia para compreensão da obra como um todo.
Segundo Bastide a autor se situa na corrente de pensamento de Durkheim, pois se utiliza dos “Tipos”, pois procura uma “tipologia dos messianismos”. E isto é de vital importância, pois:

“Uma tipologia postula sempre a aceitação a priori de certos critérios, que permitirão a descrição e a classificação dos fatos. A Escolha destes critérios é da maior importância, pois a tipologia proposta variará conforme se escolha um ou outro.” (pág. 17).

            Sendo assim a autora definiu se o messianismo pertencia ao fenômeno religioso, ou ao fato social. Apesar de ela falar de sociologia ela não despreza o sagrado, pois é condição de pré-existência para a ocorrência do messianismo, excluindo destes termos movimento políticos considerados “messianismos secularizados”.  E por privilegiar as estruturas sobre as superestruturas, trata-se então de um livro de sociologia.
            Outra observação de Bastide e a novidade apresentada da tipologia de Queiroz: genético e funcional. Diferente de causa e efeito, pois não segue a praxi humana. A funcionalidade responde a causa, ou seja, funciona a partir da causa.
            O foco da autora será a ligação entre o messianismo e as sociedades de parentes e nas duas estruturas para o aparecimento deste fenômeno: tipo de mitos e religiões e tipos de estrutura social.

 Resumindo Roger Bastide:
Corrente de pensamento: Durkheim – “Tipos”
Messianismo pertence à esfera do Sagrado e é um Fato Social.
Tipologia baseada em: Genético/Funcional.
Estruturas para surgimento do fenômeno: Tipos de Mitos (Sagrado) e Tipos de Estrutura social (Fato Social).
Foco da autora: ligações entre o messianismo e as sociedades de parentela.

A autora deixa claro na introdução que a sua esfera não será o Sagrado, muito embora o aponte como condição pré-existente para ocorrer o fenômeno. Ela se vale da sociologia para busca da compreensão do messianismo.

Metodologia:
            Queiroz se vale das monografias existentes e ao longo do livro apresenta estudos comparativos, nesta ela percebe, apesar de diferença espacial e temporal, ela percebe a semelhança do movimento, reforçando a sua idéia principal: Os movimentos messiânicos surgem da quebra da atividade de subsistência de um determinado grupo, o colocando em posição de inferioridade. Logo, na sua metodologia ela se valeu de dois métodos principais: o estudo comparativo e a pesquisas de campo.

Objeto de pesquisa:
            O Objeto de pesquisa é a identidades de estruturas e de funções em seus caracteres mais gerais, entre uma multiplicidade de casos concretos dispersos no espaço e no tempo.

Resumo da conclusão da autora

            A autora busca através do livro estabelecer um elo entre os movimentos messiânicos. Começando pelos movimentos na América do Norte, passando pelos movimentos Africanos e da Melanésia e observando os movimentos na Europa Medieval. Ela percebe um padrão: o de reação a um domínio econômico.
            Também observa que o “status” fornecido pelos laços de parentesco eram abalados, causando anomia nestas sociedades, que após o comprometimento de igualdade entre o nativo e branco passavam aqueles a serem subordinados numa sociedade global de relações econômicas. Logo em seguida surge uma insatisfação e após surgir um profeta no meio deles (dominação carismática) inicia-se o movimento de volta as raízes, muito embora essa volta seja feita sobre novos paradigmas. Na busca deste novo nomos a sociedade prega o fim da ordem opressora, instauração de nova ordem e estabelecimento da promessa do paraíso terrestre, onde o Messias reinará e destituirá os inimigos.
            Muito embora a autora perceba semelhanças entre os movimentos exteriores e brasileiros, ela apresenta uma abordagem diferente, pois constatou que a sociedade global brasileira se dividia em três seções sócio-cultural distintas: primitiva, rústica e urbanizada.
            No caso dos nativos, apesar de no início haver uma relação de igualdade, o contato com a civilização externa provoca anomia no grupo, pois as diferenças culturais causadas pela presença do outro traziam desordem e por isto uma restauração era desejada, trazendo de volta os antigos costumes. Nesta situação o movimento messiânico se apresentará como restaurador. Na outra situação o desejo de recuperar os domínios perdidos e a posição de destaque poderá remeter para o caráter revolucionário do messianismo.
Nos movimentos messiânicos primitivos tenta-se combater a ameaça do colonizador, por isso o objetivo desta é preservar as estruturas e a organização nativas, libertar as tribos de uma possível escravidão. Já quando a situação colonial está instalada o sentimento é revolucionário, pois tenta substituir pela violência o antigo, além da finalidade de libertação. Ambos querem independência, por isso alguns o chamam de “nacionalismo em germe”.
Já os movimentos rústicos podem surgir tanto por causas internas, como por interferência urbana. O litoral urbano e regido por uma relação econômica, tenta se impor a uma sociedade rural que se vê acuada pela relação de superioridade e quebra do tradicional. A relação de parentela já não é predominante no meio urbano, as relações de contratos econômicos são mais intensas, causando uma anomia no meio rural que busca através de movimentos messiânicos correção. Também há problemas internos, a subordinação aos coronéis, a falta de terra, as condições de pobrezas facilitam o surgimento do messianismo que pode ter cunho puramente religioso, e neste caso as condições econômicas não mudariam, o outro caso é o que tem um cunho sócio-econômico, este é o caso do Beato do Caldeirão, padre Cícero e outros, pois visa dar melhores condições econômicas, tais como a plantação em mutirão, o comércio do excedente e a manutenção da comunidade dentro de um nomos mais justo.
O principal argumento final da autora é o da diversidade estrutural brasileira, pois a sociologia e a antropologia mantinham estes movimentos como heterogêneo, a autora conseguiu desmembra em três tipos, que dão mais clarezas na análise destes movimentos.


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